A volta do filme 3-D

A tecnologia que proporciona a exibição de imagens em telas do tamanho de um prédio apresenta sua mais recente superprodução: o renascimento dos filmes em três dimensões. Trata-se de uma produção Imax (marca derivada de maximun image), um extravagante sistema desenvolvido há duas décadas para a projeção de filmes em telas que podem alcançar o tamanho de um prédio de seis andares.

A explicação para aquele efeito especial ao vivo é, no entanto, simples. Ao se observar o que se passa na tela de uma televisão ou de cinema convencional, a imagem ocupa apenas a parte central da retina; o resto do que se vê ao redor não permite que o espectador perca a noção de onde se encontra. Mas, nesse sistema, em que toda a retina é ocupada pela tela, o impacto psicológico é incomparavelmente mais forte.

A isso tudo a Imax acaba de acrescentar uma novidade ainda melhor - o sistema Solido, que projeta imagens tridimensionais em uma tela côncava de 24 metros de diâmetro, o suficiente para ocupar todo o campo de visão da platéia e manter o efeito espetacular mesmo quando as formas na tela se aproximam do espectador.

O novo sistema de projeção faz o filme rodar sem trancos, no sentido horizontal (o movimento das imagens resulta de uma seqüência de fotos estáticas que rodam uma ao lado da outra). O processo clássico é vertical (um quadro sobre o outro). Durante a projeção, esse movimento permite que cada imagem se encaixe em pontos fixos, evitando distorções. Além disso, o filme fica firmemente preso a vácuo contra a parte de trás das lentes, de modo a ser exibido com a perfeição de uma foto normal num projetor de slides. O filme da Imax tem fotogramas com quinze perfurações laterais para fixação nos aparelhos, enquanto o filme comum da mesma bitola tem só cinco. O som é estereofônico com seis canais, o suficiente para distribuir os acordes de modo que cada nota venha de alto-falantes diferentes.

O QUE É E COMO FUNCIONA O NOVO 3-D

Quando se olha para algo, cada olho vê uma imagem plana de ângulos ligeiramente diferentes entre si. O cérebro combina tudo numa única imagem tridimensional. O sistema Solido usa dois projetores. Os espectadores recebem óculos com lentes de cristal líquido para criar o efeito de três dimensões.

1. A lente do olho direito é escurecida enquanto um projetor apresenta a imagem dirigida ao olho esquerdo
.
2. A seguir, com o olho esquerdo tapado, inverte-se o processo. Como tudo acontece rapidamente, o cérebro une as duas imagens, dai resultando o efeito 3-D.

3. 0 cinema de tela côncava aumenta a ilusão ao impedir que o espectador veja onde termina a imagem.

HOLOGRAFIA

Método de fotografia que fornece imagens em três dimensões. Inventado em 1947 pelo físico húngaro naturalizado britânico Dennis Gabor (que ganhou o Prêmio Nobel de Física de 1971 por isso). Não usa lentes e sim raio laser para captar a imagem. Consiste na divisão do laser em dois feixes: o primeiro é refletido pelo objeto antes de atingir o filme fotográfico; o outro, incide diretamente sobre o filme. No percurso, os dois feixes cruzam-se e as ondas de luz interferem umas nas outras. Onde as cristas das ondas se encontram, forma-se luz mais intensa; onde uma crista de um feixe encontra o intervalo de onda de outro, forma-se uma região escura. Esta sobreposição é possível porque o laser se propaga através de ondas paralelas e igualmente espaçadas. O filme revelado ainda não mostra uma imagem. Aplica-se novamente o laser sobre a chapa fotográfica e o resultado é o holograma, uma imagem que pode ser vista de vários ângulos como se fosse de fato tridimensional. A holografia é usada na pesquisa científica (localiza deformações em objetos sólidos), na indústria (identifica objetos para evitar falsificações) e nas artes plásticas. Ainda uma novidade como forma de expressão artística, já destacou alguns artistas plásticos, como a inglesa Margaret Benyon, os norte-americanos Harriet Casdin e Rudie Berkhout, os brasileiros Haroldo e Augusto de Campos e a japonesa Setsuko Ishii.

FILMES SERÃO PROJETADOS NO AR

A holografia foi inventada em 1947, porém somente na década de 60, com a descoberta do laser, os hologramas passaram a ser produzidos eficientemente. Um dos pioneiros de então é também responsável por ter inventado, em 1986, no Media Lab, um sistema que projeta imagens holográficas no ar. Hoje, Stephen Benton, que também criou o tipo de holograma que aparece na maioria dos cartões de crédito, lidera o Grupo de Imagens Espaciais do laboratório e já exibe, com orgulho, imagens tridimensionais feitas em computadores e projetadas no ar. É o vídeo holográfico. Ou, como o pessoal do MIT prefere, holovídeo. O projeto ainda está em desenvolvimento, mas já abre espaço para que se possa imaginar em casas comuns cenas como aquela do filme Exterminador do Futuro (1990), na qual Arnold Schwarznegger confunde seus perseguidores projetando um vídeo holográfico de si mesmo. Isso, claro, não é para já. Mas Benton, formado em engenharia elétrica no próprio MIT, está otimista. "A holografia está evoluindo a cada ano e aumentando a expectativa pelo futuro da ciência e tecnologia da imagem", diz o pesquisador. Entre os principais objetivos do grupo do Media Lab para os próximos anos está a produção de holovídeos coloridos - os atuais são monocromáticos -, além de desenvolver um sistema que admita a interação entre o usuário e as imagens projetadas.

NOVIDADE TECNOLÓGICA

A novidade é um projetor que inaugura a era digital do cinema. Tem a forma de um armário com 1,83 de altura e 760 quilos, é o projetor ILA - 12 K, da empresa americana Hughes - JVC.

Esse projetor dispensa o uso de rolos de filme. Acessa as imagens de um longa-metragem armazenadas digitalmente na memória de um computador e as amplia para ocupar uma tela de 30 m de largura por 9 m de altura. Igual às dos maiores cinemas. O princípio tecnológico por trás do projetor eletrônico de cinema é o mesmo dos projetos portáteis acoplados a notebooks e usados em apresentações profissionais. Ele muda o método de exibição de um filme, mas não as suas produção e filmagem. Nos estúdios de Hollywood, o cinema eletrônico aparecerá somente na hora da duplicação do original. Cada cópia a ser distribuída para cada cinema sai por US$ 2 mil. No caso de uma superprodução como Titanic, lançada em dezenas de cinemas Brasil afora, o gasto com copiagem é de centenas de milhares de reais, despesa que desaparece com e-movie. É o fim das cópias. O original é convertido num vídeo digital de alta-resolução. Este é enviado por cabos de fibra óptica ou via satélite às salas de exibição e armazenamento num servidor conectado ao ILA - 12 K. O processo faz com que cada cópia, por ser digital, tenha a mesma qualidade da original, algo impossível de ser atingido no processo analógico. Indo além, a cópia digital não se deteriora nem fica riscada devido ao uso. Os espectadores dos cinemas do interior, que não tem escolha a não ser assistir a cópias riscadas anteriormente exibidas nas capitais, só terão o que agradecer. A primeira exibição pública do novo ILA - 12K foi em 18 de junho de 1999, em duas salas de Los Angeles e duas de Nova York, que exibiram Guerra nas Estrelas - a ameaça fantasma. Existem apenas 24 projetores como esse no mundo.

ILUSÕES DE ÓPTICA

Arte que mexe com nosso inconsciente nos deixando por momentos sem saber o que está ocorrendo, ou até por longo período refletimos sobre uma ilusão apresentada. Algumas ilusões trabalham exatamente no fato de sermos juntamente com os macacos os únicos seres que percebem a noção de profundidade ou seja enxergamos os objetos em 3D, largura, altura e profundidade; uma das explicações para este fato é que temos os olhos na frente da cabeça e não dos lados como na maioria dos animais, para perceber isto, faça o seguinte teste : "Fique de frente para uma porta, estique o braço paralelamente a porta fechando os dedos e deixando apenas o indicador esticado. Agora deslize o braço de modo a tocar a ponta da maçaneta com a ponta do indicador. É importante que a maçaneta seja em L. Agora tape um dos olhos e faça o mesmo movimento. Você verá que não consegue acertar a ponta da maçaneta. Viu? Você fica sem precisão na noção da profundidade do seu campo de visão." Veja mais alguns testes a seguir :

Veja esta ! Percebe o que está "errado" ?? Quantas barras existem aí ?

A porta está aberta ou fechada ?

MIRAGEM

Ilusão de óptica devida à superposição, na proximidade do solo, de camadas de ar com temperaturas diferentes. Por causa das variações do índice de refração das camadas de ar atravessadas, os raios luminosos se curvam produzindo uma imagem duplicada ou triplicada de um mesmo objeto. Esse fenômeno é observado sobretudo em áreas de grande extensão, desprovidas de vegetação (desertos, banquisas, oceanos, ...).