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Projeto Ciência e Pseudociências |
O Projeto Ciência e Pseudociências foi resultado de uma investigação inicial com as turmas de segunda série das unidades Expoente JN e CA, no ano de 2001. Num questionário distribuído pelo professor de Física, Paulo Lee, aos alunos logo no primeiro dia de aula constatou-se que os alunos tinham uma preferência por assuntos ligados às pseudociências (46,9 % dos alunos da CA e 46,5% dos alunos da JN). Após a exposição do resultado da pesquisa e aprovação por parte dos alunos, e de conversas com o professor de história, Jayme Diz, conhecedor mais profundo de várias pseudociências, nasceu o desafio de se desenvolver um trabalho conjunto, não apenas multidisciplinar, mas de certa forma numa tentativa inter, ou mesmo transdisciplinar, em que as disciplinas de Física e História não fossem as norteadoras das pesquisas, mas apenas algumas das áreas possíveis de investigação, dentre o universo não disciplinar que envolve as pseudociências. Dentre as várias pseudociências, a título de organização das pesquisas, foram organizados 4 grandes sub-grupos:
1. Parapsicologia (fenômenos paranormais como telecinesia, premonição, aparicões, curas mediúnicas, etc.); 2. Medicina alternativa (homeopatia, acupuntura, florais, fitoterapia, toque terapêutico, cromoterapia, aromaterapia, etc.); 3. Ufologia; 4. Previsões acientíficas (astrologia, numerologia, I-ching, mandala, Nostradamus, etc.); A idéia principal do projeto foi a de provocar a prática da investigação, da comparação, do estudo minucioso características e dos argumentos de defesa das pseudociências, tudo em contrapartida com as contestações científicas, propostas pelos céticos, cientistas e estudiosos, que baseados na metodologia científica, criticam a validade, eficácia e seriedade das pseudociências. Assim, vestido no papel de “defensor das pseudociências”, o professor Jayme Diz procurou desde o início, destacar a variedade de pseudociências presentes no cotidiano dos alunos, sensibilizando com esclarecimentos e vídeos que despertassem o interesse e a curiosidade. Por sua vez, o professor Paulo Lee, vestido no papel de cético, procurou destacar a importância e seriedade da ciência, não apenas como uma das mais importantes realizações da mente humana, mas também como garantia de progresso, qualidade de vida e defesa contra a ignorância e alienação proporcionada pelo mundo globalizado. Um trabalho inicial, onde os alunos puderam discutir a polêmica da ida do homem à Lua, permitiu aos alunos perceberam a influência negativa da mídia sensacionalista na opinião pública. Em seguida os alunos, divididos em grupos (2 por tema), fizeram suas pesquisas, sem se aterem às contestações científicas. Cada equipe tinha a incumbência de buscar o máximo de informações sobre a pseudociência pesquisada. Depois que compreenderam as características, pontos de vistas e argumentos de defesa dos estudiosos das pseudociências, os alunos partiram para as pesquisas que visavam responder porque a ciência considerava o tema pesquisado como pseudociência, os argumentos de contestação dos céticos e a metodologia empregada pela ciência. Paralelamente às pesquisas dos alunos, vários vídeos que descreviam as pseudociências e apresentavam contestações científicas foram apresentados aos alunos. O professor Jayme trouxe vídeos que defendiam e salientavam as características da astrologia, do tarô, etc. E o professor Paulo Lee trouxe vídeos, que destacaram as fraudes e truques usados pelos supostos videntes e paranormais, elucidaram os enganos de avistamentos de OVNIS, e apresentaram as explicações da ciência para as supostas curas da medicina alternativa (efeito placebo). Palestras também foram marcadas. O ufólogo Rafael Cury esteve presente nas duas turmas e a astróloga Clarice Prestes, à convite de uma das equipes esteve presente na turma da JN. Orientados pela professora de gramática, Anna Beatriz, os alunos desenvolveram artigos em forma de discurso de divulgação científica, um artigo por equipe, onde a idéia era socializar as pesquisas entre todos os alunos da sala e também à comunidade. Todos os artigos deveriam seguir a proposta de divulgação isenta, ou seja, apesar dos alunos possuírem suas opiniões próprias, os artigos deveriam descrever as pseudociências e as contestações científicas, procurando deixar ao leitor a opção pelo posicionamento. Todos os artigos passaram por três etapas de orientação e avaliação pelos professores envolvidos no projeto, de forma a simular um processo mais acadêmico de seleção e orientação de divulgação e publicação de artigos, dentro, é claro, das limitações do nível do ensino médio. Apresentações finais, pelas equipes às turmas envolvidas, e uma mostra cultural, que foi aberta às demais turmas, pais e visitantes, marcaram a conclusão das atividades do projeto em sala. Estas apresentações procuraram estimular a importância da responsabilidade do trabalho em equipe, da oralidade, do uso de recursos tecnológicos/multimídia, de manifestações culturais, como encenações, elaboração de cenários, de filmagens, entrevistas e debates, como formas diferenciadas de uma educação para a vida. Todos os eventos contaram com questionários onde os alunos puderam opinar, individualmente, se acreditavam, não acreditavam ou estavam em dúvida sobre as pseudociências. Os resultados mostraram inicialmente que os alunos foram sugestionáveis pelas pesquisas e pelos vídeos, mas que de uma forma geral, apresentaram diminuição de credulidade, e aumento de ceticismo. A
objetivo maior do projeto, no
entanto, foi destacar a importância da atitude responsável de uma análise
mais profunda, dos vários pontos de vista, antes do posicionamento a
favor ou contra determinado assunto. Da possibilidade de convívio e
respeito, mesmo entre pessoas que partilham de crenças e idéias
diferentes, ou mesmo conflitantes. Da
importância mais ampla da ciência, da análise responsável das mídias,
da crítica embasada, da prática da reflexão, da educação para o
entendimento, da complexidade dos seres humanos, e da prática do convívio
do respeito à diversidade, não apenas como
uma garantia de minimização dos efeitos de um
mundo competitivo e globalizado, mas como o melhor antídoto contra
o fanatismo e a intolerância, que juntas são as maiores ameaças contra
a liberdade e a paz, em todos os sentidos. Seguem abaixo os artigos, em forma de divulgação científica, desenvolvidos pelos alunos.
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