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Inteligências Múltiplas
e Emocionais
Celso Antunes
Especialista em Educação.
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1.
Como definir inteligência?
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Inteligência
é a capacidade de resolver problemas, compreender idéias,
interpretar informações transformando as em conhecimento e,
também, a capacidade de criar. Constitui um componente
biopsicológico que difere o ser humano de outras espécies
animais.
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2.
Existem informações novas sobre a Inteligência humana que
podem dar nova dimensão à educação?
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Existem.
Durante muitos anos a descoberta do funcionamento da mente
constituía-se em um desafio para a neurologia. Observar o cérebro
humano em ação era impossível em uma pessoa viva e essa
dificuldade gerava uma série de hipóteses sobre o
pensamento, consciência, memória e naturalmente, inteligência.
Atualmente sistemas avançados de Tomografias por Emissão de
Pósitrons ou mesmo Ressonâncias Magnéticas específicas
podem "abrir" o cérebro de uma pessoa viva e
acompanhar suas reações. Existe, é evidente, muito a fazer,
mas há uma distância considerável entre o que se sabe e o
que era sabido há dez anos atrás sobre inteligência.
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3.
E quais as implicações educacionais dessas descobertas sobre
a idéia de inteligência?
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Pelo
menos, três avanços neurológicos parecem extremamente
significativos: o primeiro, é que a inteligência pode ser
estimulada e o papel do meio ambiente associa-se ao da
hereditariedade na construção de pessoas mais ou menos
inteligentes; segundo, não existe uma inteligência na mente
humana, mas diversas inteligências que compõe espectros
altamente diferenciados; terceiro, o estímulo a essas inteligências
não requer tecnologia de ponta ou investimentos que
inviabilizem sua prática em todo lugar, em qualquer família
ou escola.
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4.
É possível constatarmos nas pessoas com as quais nos
relacionamos as evidências dessa multiplicidade de espectro?
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Sem
dúvida. A humanidade sempre valorizou a inteligência de
Mozart e de Einstein, de Camões e de Niemayer, de Picasso e
de Ghandi assim como de muitos outros, mas sempre soube
diferenciar a natureza específica de suas competências. Não
é necessário aprofundar a genialidade para perceber entre
nossos amigos ou alunos, inteligências lingüísticas, matemáticas
espaciais e outras.
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5.
Essas inteligências múltiplas atuam isoladamente? Podem ser
estimuladas de forma específica?
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De
forma alguma. As ações no cérebro atuam com sistemas
integrados mais ou menos como o conjunto de folhas de uma copa
agitada pelo vento. É impossível isolarmos uma inteligência,
ainda que estímulos específicos podem atuar mais sobre uma
que sobre as outras.
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6.
Quais são essas inteligências?
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Embora
seja muito mais importante observar o espectro das inteligências
e identificar o indivíduo por sua multiplicidade, ainda que
se destacando por esta ou aquela linguagem, as inteligências
apontadas por Howard Gardner, da Universidade de Harvard, são
as de natureza lingüística, lógico - matemáticas,
espacial, musical, cinestésico - corporal, naturalista e as
inteligências pessoais.
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7.
E as inteligências emocionais?
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Gardner
não fala em inteligência emocional. A expressão veio de
Daniel Goleman, e sua obra ainda que bem menos densa que os
estudos de Gardner, sugerem que as emoções seriam
processadas pelas inteligências pessoais, isto é, a
intrapessoal, ligada a auto-estima, segurança e capacidade de
administrar de maneira satisfatória a autopercepção e a
inteligência interpessoal, associada a empatia,
"leitura" e compreensão do outro e de seus
sentimentos.
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8.
É possível estimular - se as inteligências emocionais? Esse
estímulo seria auto - ajuda?
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A
reposta é sim e não. É evidente que é possível aperfeiçoarmos
as inteligências pessoais em conjunto ou mais explicitamente
uma delas, ainda que esse estímulo seja lento e os resultados
progressivos, algo assim como aprender a tocar violino. Não
existe relação entre a alfabetização emocional e a auto -
ajuda. Em primeiro lugar porquê auto - ajuda se associa a
"domesticação das emoções" algo muito distante
da alfabetização emocional. Em segundo lugar porquê a
pretensa auto - ajuda dispensa as interações e a intervenção
do professor e psicólogo, o que não ocorre com a alfabetização
emocional e, finalmente, porquê toda auto - ajuda promete
milagres com uma simples leitura e meia dúzia de conselhos,
procedimento anos-luz distante de uma verdadeira alfabetização
emocional.
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